“Ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento,
contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de
deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e
comunicativas”, salienta Leão XIV.
O Santo Padre apela a uma cidadania digital consciente e
responsável que envolva desde a indústria tecnológica até aos legisladores, às
empresas criativas, ao mundo académico, aos artistas e aos jornalistas e
educadores.
Em particular, o Papa faz um sério alerta para uma atitude
“ingénua e acrítica” na utilização da IA que pode prejudicar a “nossa
capacidade de pensar analiticamente e criativamente”.
Preservar vozes: o contributo da comunicação sinodal
Precisamente para ajudar a pensar, analisar e refletir em
modo crítico, a comunicação sinodal tem vindo a oferecer um registo de escuta e
de preservação do contributo de cada pessoa.
Em especial, a Rede Sinodal em Portugal tem vindo a
sublinhar com o seu podcast “No coração da esperança”, que o esforço coletivo
de encontro e de caminho em conjunto começa na partilha pessoal e crítica. Sem
filtros e sem barreiras artificiais. Com total liberdade de participação,
preservando vozes e rostos.
Deste conteúdo de comunicação sinodal recordamos o
contributo do padre Duarte Rosado, promotor vocacional da Companhia de Jesus em
Portugal.
Na entrevista que concedeu em novembro de 2025, o músico e
sacerdote jesuíta considera que a arte pode ser um veículo para falar de Deus.
Afirma que a experiência de beleza que a arte proporciona, pode ser “uma
experiência comunitária e pessoal, de fé e de Deus” que ajuda na conversão das
relações.
“Eu não falo só a partir da música. Acho que se fala a
partir de um ponto de vista da arte, porque a música é uma das expressões. Eu
falo até quase do que está... Quase da base. Parece-me que é neste momento o
mais importante. Mais do que o produto final, é mais a atitude que está por
detrás da criação artística, ou da arte.
Nós temos alguma dificuldade em habitar a tensão e habitar
as perguntas. Temos alguma dificuldade em relação a isto. A tendência é para
uma certa segurança, em ter as coisas garantidas, as respostas todas, etc. Eu
acho que a vida não funciona assim. E se a vida não funciona assim, a fé não
funciona assim, e a Igreja não funciona assim. No tempo em que estamos não
funciona assim.
O que é que me parece que a arte faz de uma maneira
excecional: Ensinar-nos a habitar as tensões e as perguntas sem ter a pressa de
as resolver, ou seja, sem querer resolvê-las à pressa. Porque a arte põe-nos
diante do mistério. Sem o querer escangalhar, sem o querer abrir, sem o querer,
com um bisturi, dissecá-lo. Mas vivê-lo, viver isso. E põe-nos diante da
pergunta, sem a querer responder à pressa. As perguntas vão-se respondendo,
vai-se vivendo a resposta, e não se vai respondendo à pergunta como nós estamos
habituados à nossa mentalidade, meia técnica, meia eficaz ou eficiente, vai
querer responder.
Para além disso, a arte também nos põe diante da beleza, do
belo. E a experiência de fé, e a experiência de Igreja, deveria ser, ou é, pelo
menos implicitamente, uma experiência do belo. Uma experiência de beleza.
Portanto, a arte é como uma porta de entrada. Não estou a dizer que a arte, que
experimentar a arte é já a fé. Pode ser para quem é crente. Mas para quem não é
pode ser sobretudo uma porta de entrada muito, muito grande.
Na perspetiva sinodal, isto é muito importante. Porque me
parece que o Sínodo também poderia encontrar caminhos, obviamente, de habitar a
tensão e as perguntas. E é uma coisa que está clara também nos documentos,
habitar a tensão, ensinar a habitar a tensão e as perguntas. E, sobretudo, a
experiência de beleza poder ser uma experiência comunitária e pessoal, de fé e
de Deus. É uma experiência profundamente espiritual que poderia ajudar não só a
esta conversão de que se fala das relações, e de uma conversão espiritual
também, mas também até uma maneira de transmitir conteúdo através da arte. De
poder ser um veículo de falar de Deus. Não como a teologia fala, não como a
espiritualidade, por si, a fala. Não como a liturgia fala, mas de uma maneira
nova, e a meu ver até pouco explorada, pelo menos em Portugal. Assim ainda
pouco explorada a questão da beleza, e de como se pode usar a beleza como
veículo, e como porta de entrada e até como veículo de fé”.
Duarte Rosado é sacerdote jesuíta e músico e colaborou com a
iniciativa podcast “No coração da esperança” da Rede Sinodal em Portugal, uma
parceria que junta Diário do Minho, Voz Portucalense, Correio do Vouga, Correio
de Coimbra, A Guarda, 7Margens, Rede Mundial de Oração do Papa e Folha do
Domingo.
Continuemos a preservar vozes e rostos humanos para
aprendermos a viver com a IA.
Em 2026 o Dia Mundial das Comunicações Sociais celebra-se no
domingo 17 de maio.
Laudetur Iesus Christus
FONTE: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-01/dia-comunicacoes-sociais-mensagem-leao-xiv-inteligencia-ia.html
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