segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Perfil do Intercessor


O Perfil do Intercessor

Chamado para se colocar como servo de oração (Sl 142, 1-2; Is 42, 1-4), reclamando a graça (favor), suplicando a misericórdia, lembrando o Senhor de Sua fidelidade na liberdade do chamado.


Esse servo entende sua missão (Ex 14, 13-14), definindo esse mesmo chamado como um combate, portanto, muito mais que uma disposição, vive-se um estado (está sempre de prontidão).

Nessa disposição e disponibilidade, e na medida em que vai exercendo o ministério, tem a necessidade de ter os olhos e o coração voltados para a dor alheia, que o leva a ser um reparador “Reerguerás as ruínas antigas, reedificarás sobre alicerces seculares, chamar-te-ão o reparador de brechas, o restaurador das moradias em ruínas” (Is 58, 12), com o coração transpassado de misericórdia.

Ótica nova, postura nova “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Existe uma diferença básica entre interceder e ser um intercessor. Enquanto um é o ato de básico de reivindicação, o outro é assumir as necessidades do irmão (Is 41, 1ss); é constante no seu permanecer na presença do Senhor, consciente do alcançar a graça.

Perfil do Intercessor:

Homem preparado (Ez 22, 30), com convicção e segurança. Sabe e sente que o Senhor vai agir em toda e qualquer situação. Não se abala, ao contrário, se fortalece nas dificuldades.

Não se acomoda: “Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou” (Rm 8, 37). Sua fé qualificada pela vida de oração, Eucarística e comunitária, concede-lhe uma visão antecipada da graça, condicionando para a maturidade humana e espiritual, na medida que entende a situação do outro, se derrama na presença do Senhor.

Fé ascendente ativa: mesmo reconhecendo as sérias dificuldades pessoais e eternas, desenvolve a compaixão solidária, a humildade na espera e a confiança do resultado.

Confiança inabalável (Rm 8, 37). O intercessor é um homem convencido que o Senhor é um Deus realizador cumpridor fiel de suas promessas. Sabe não somente acolher dores e angustias e apresentá-las, mas é sensível aos sinais que advém do Senhor, portanto, é um homem aberto, hábil e maduro no uso dos dons espirituais.

Linha de ação: Não teme poder algum, não faz promessas pessoais, se coloca na brecha; discerne a oração a ser ministrada; sustenta seu chamado com uma espiritualidade sólida através do próprio exercício (jejum, mortificação)

Marcelo - Sorocaba S.P

PERSEVERANÇA E PACIÊNCIA – UMA ÚNICA COISA

PERSEVERANÇA E PACIÊNCIA – UMA ÚNICA COISA

(Esta Reflexão nos traz mais conforto e a esperança de não desanimar ,basta prosseguir fielmente.)

Nesta madruga o senhor me levou a esta reflexão , em meio as lagrimas o senhor sempre é fiel e nos orienta ,então resolvi postar esta matéria ...27/06/2011. Creio que possa servir para você que tambem acompanha esse blog .

Tiago 5.10-11″ Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.

Infelizmente, nós não temos paciência para esperarmos, estamos sempre anciosos e embarcamos no mesmo barco que o resto do mundo. Influenciados pelo avanço tecnológico, que num curto espaço de tempo, podemos dizer que, “turbinou” o nosso planeta, levando e trazendo informações em uma velocidade incrível!

Com tudo isso, aprendemos então, se é que podemos falar assim, há não ter paciência, há não termos a virtude da perseverança! Facilmente desistimos das coisas quando estas não ocorrem no tempo e do jeito em que gostaríamos que acontecesse e acabamos por perder o que antes desejávamos!

Com Deus, as coisas não são diferentes, encaramos do mesmo jeito, batemos de frente com o nosso Senhor e como crianças mimadas, exigimos de Deus uma ação imediata! Porém, nos colocamos dessa maneira, em um caminho muito perigoso, ao qual nem deveríamos sonhar em trilhar!

Quando Deus nos promete algo, pode ter certeza, isso irá se cumprir, pois, Deus é um Deus de Palavra, e a sua Palavra é o seu próprio Poder! Se não conseguimos esperar com paciência em Deus, crendo em suas promessas, simplesmente estamos dizendo que Ele está nos mentindo!

Eu não quero pecar contra Deus, não perseverando e conseqüentemente, perdendo de alcançar as suas promessas para minha vida, sendo a principal delas a Salvação!

Hebreus 6.15 “E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa.”

Percebeu o que a Palavra diz nesse trecho, que foi somente depois de Abraão ter esperado com paciência, que ele recebeu a promessa! Claro, pois, enquanto em seu coração, havia dúvidas e ansiedade, o Senhor não podia abençoá-lo, porque com a própria incredulidade de Abraão, a promessa se distanciava cada vez mais. Porém, no momento em que ele passou a crer, ao cumprir-se o tempo de Deus, ele pode alcançar tudo o que o Senhor prometeu!

Então, você prefere o que: “perseverar e alcançar a promessa de Deus ou viver ancioso e jamais poder desfrutar das bênçãos do Senhor Jesus para a tua vida?”

Eu fico com a primeira opção, perseverando dia após dia, crendo na vitória no Senhor Jesus e pela fé desfrutando de tudo o que o Senhor conquistou lá na cruz para mim e para você!

Tiago 5.7 “Sede, pois, irmãos, pacientes, até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas.”

Marcelo Rodrigues - Sorocaba S.P  ....

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que sacia ?

ETERNO OU ERÓTICO: O QUE O SACIA?

É certo que no homem há o desejo pelo prazer, o desejo de possuir coisas e pessoas, a vontade de experimentar novos sentimentos e sensações a todo momento. Muitas vezes, essas situações revelam o nosso vazio e nos angustiam logo que experimentadas.


Isso ocorre com todos nós e, na modernidade, este desejo de possuir tudo e todos é potencializado pelas novas tecnologias que nos abrem uma gama incontável de possibilidades. Somos bombardeados por meio de palavras, imagens e sons que nos envolvem rapidamente. O mais grave é que alguns conteúdos nos transformam em objetos, e quando menos esperamos, estamos fisgados pelos chamados conteúdos eróticos.

Dessa forma, a busca do prazer transforma-se em uma verdadeira enrascada, principalmente quando acessamos os conteúdos chamados “Adultos”, que começam com um ensaio fotográfico mais sensual, e o mesmo site o leva para outro mais quente, e logo há alguém refém de vídeos e fotos chamados pornográficos.

Esses conteúdos são uma mentira, a qual nos envolve de tal forma que acabamos por ter a nossa vida dirigida em razão do prazer, da satisfação, do gozo, e quando paramos para pensar nos sentimos distantes de Deus, na angústia e na solidão.

Este desejo de ser “feliz”, buscando o que está fora de nós, pode ser um grande instrumento para a experiência do homem com o Senhor, da mesma forma que pode ser a causa de nossa escravidão ao erro. Assim foi com Santo Agostinho, que testemunhou na obra “Confissões” o quanto buscava no erótico a razão da sua vida, a ponto de afirmar: “Eis que eu Te procurava fora, e Tu estavas dentro de mim”.

Platão, um dos mais importantes filósofos da Grécia antiga, em sua obra nominada “Banquete”, narra o nascimento do mito Eros, segundo ele este é pobre, sujo, hirsuto, descalço, sem teto, e está sempre à espreita do belo dos corpos e da alma, com sagazes ardis. Ele não é belo como geralmente se crê, mas é extremamente astuto.

O Papa Bento XVI, em sua Encíclica Deus caritas est, ensina que o eros necessita de disciplina, de purificação para dar ao homem não o prazer de um instante, mas uma encontro verdadeiro com o eterno. Segundo o Santo Padre o modo de exaltar o corpo, a que assistimos hoje, é enganador. O eros degradado a puro sexo torna-se mercadoria, uma coisa, que se pode comprar e vender; assim, o próprio homem torna-se mercadoria.

Existe desta forma, uma significativa relação entre a busca pela insaciabilidade com a santidade. Na outra vertente há o estrago que o desequilíbrio causa no homem quando ele reduz a sua vida ao erotismo.

Portanto, a busca por algo absoluto pode ser feito a partir da escolha certa, rompendo com o erotismo e e se abrindo à eternidade!

Quando decidimos não ser escravizados pelos apelos eróticos e todas as suas vertentes, podemos saciar a sede do nosso coração, fixando no amor incondicional a Deus e ao próximo, e tomar posse das palavras de São Pedro:

Senhor, a quem iríamos nós? Tu tu tens as palavras da vida eterna! (Jo, 6, 68).

Marcelo - Sorocaba S.P

Cura Interior - Vença Indecisão

Vença a Indecisão



Será que Deus tem um plano perfeito para sua vida? Será que Ele realmente se importa? O crente tem direito de escolher e ainda estar no centro da vontade de Deus? Como posso saber se devo casar? Com quem? E minha profissão? Onde devo morar? Será que Deus se importa com pequenos acontecimentos de minha vida?

Todas estas perguntas e muitas outras refletem as dúvidas, ansiedades e inquietações de pessoas que querem saber como descobrir a vontade de Deus, para poder cumpri-las.

1. O que é vontade de Deus?

Existem três aspectos da vontade de Deus: a vontade soberana, a moral e a individual.

1.1 Vontade Soberana

A vontade soberana de Deus é o plano secreto, pré-determinado, que Deus tem para tudo que acontece no Universo.

(Daniel 4:35) - E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?

(Provérbios 21:1) - Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer.

(Apocalipse 4:11) - Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.

1.2 Vontade Moral

A vontade moral de Deus é tudo que Deus deixou revelado em sua palavra, a Bíblia. Trata-se de tudo que devemos crer e viver.

(João 8:31) - Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

(João 8:32) - E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

1.3 Vontade Individual

A vontade individual de Deus é aquela orientação especial para cada pessoa.

Revelação Parcial – Deus não revela sua vontade de uma só vez, mas sim passo a passo.

(Hebreus 11:8) - Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.

(Hebreus 11:9) - Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.

(Hebreus 11:17) - Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.

Suas Decisões – Não pense que Deus se interessa apenas pelas grandes decisões de sua vida.

(I Pedro 5:7)- Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Chamado Especial – Não pense que só os que vão dedicar-se integralmente ao ministério recebem um chamado especial.

(I Corintios 1:2) - À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

Possibilidade de Erro – Não pense que se tudo esta indo bem, você está no centro da vontade de Deus.

Retorno de Deus – Não pense que a desobediência deliberada pode impedir o retorno para o centro da vontade de Deus.

(Provérbios 28:13) - O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.

2. Como discernir a vontade de Deus?

Há pelo menos 7 maneiras pelas quais podemos discernir a vontade de Deus:

2.1 A Palavra de Deus

A Bíblia nos mostra em que devemos crer e como viver como filhos de Deus.

(Salmos 119: 105-130). (Salmos 119:105) - Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.

(João 8:31) - Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

(João 8:32) - E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

A vontade de Deus para os maridos.

(Efésios 5:23-29)

(1 Pedro 3: 7-12)

(Colossenses 3:19) - Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas.

A vontade de Deus para as esposas.

(Efésios 5:22-23)

(1 Pedro 3: 1-6)

(Colossenses 3:18) - Vós, mulheres, estai sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor.

A vontade de Deus as mulheres

(Efésios 6:1-3)

(Colossenses 3:21)

A vontade de Deus aos empregados

(Efésios 6:5-8)

(Colossenses 3:22-25)

(1 Pedro 3:18-23)

A vontade de Deus aos chefes

(Efésios 6:9) - E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o SENHOR deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas.

(Colossenses 4:1) - VÓS, senhores, fazei o que for de justiça e eqüidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus.

2.1.1 - Reconhecer que há diversidade de opiniões no corpo de Cristo e respeitar as divergências existentes, onde a palavra não é clara;

2.1.2 - Aprender a distinguir entre os mandamentos de Deus e as questões de liberdades

(Romanos 14:14-20)

(1 Corintios 8:9-10)

(1 Corintios 9:4-6)

(1 Corintios 10:23-29)

2.1.3 - Dê, ao seu irmão em Cristo liberdade para determinar suas próprias convicções, mesmo quando diferem das suas

(Romanos 14:5-10)

2.2 Oração

(Filipenses 4:6) - Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.


2.3 Fator e Situações

As Circunstâncias podem-nos discernir qual a vontade de Deus também, através dos fatos e situações de nossa vida diária.

(Isaías 46:10) - Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.

(Salmos 103:19) - O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.

(Provérbios 20:24) - Os passos do homem são dirigidos pelo SENHOR; como, pois, entenderá o homem o seu caminho?

2.4 A Paz Interior

Um dos vários ministérios do Espírito Santo é dirigi-lo, guiá-lo.

(João 16:13) - Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.

(Romanos 8:14) - Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

(Gálatas 5:18) - Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

"Jamais experimentaremos a paz verdadeira quanto estivermos cumprindo apenas os nossos desejos"

(Isaías 48:22) - Mas os ímpios não têm paz, diz o SENHOR.

2.5 Aconselhamento

Aconselhar uns aos outros é um ministério dos membros da Igreja, do padre, de um conselheiro, de um amigo e através dos nossos pais, desde que esteja em favor da palavra de Deus.

(Provérbios 11:14) - Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança. (Provérbios 13:20) - O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído. (Provérbios 15:22) - Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam.

2.6 Desejos Pessoais

"Se desejo fazer algo que é contrário à Palavra de Deus, sem dúvida, o desejo não pode ser de Deus"

(I João 2:16) - Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.

"Devemos nos manter equilibrados"

(Romanos 12:2) - E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Temos que tomar cuidado : (Jeremias 17:9) - Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?

2.7 O Bom Senso

Deus é extremamente organizado e prático, criando o homem com bom senso. Ele deseja que o homem faça uso da sua inteligência.

(I Timóteo 3:2) - Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;

(Tito 1:8) - Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;

"Deus nos deu cérebro e todo o necessário para fazermos julgamentos"

(II Timóteo 1:7) - Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.

(Jeremias 29:11) - Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.

(Jeremias 29:12) - Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.

(Jeremias 29:13) - E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.

Deus abençõe - Marcelo RCC





terça-feira, 7 de junho de 2011

Qual é a diferença entre graça e dom?


Qual é a diferença entre graça e dom?

O que é a Graça?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a graça é o favor, o auxílio gratuito que Deus nos dá para responder a seu chamado: chegar a ser filhos de Deus, filhos adotivos partícipes da natureza divina, da vida eterna.
Ao falar e graça é feita uma distinção:

a) Graça Santificante: É uma disposição estável e sobrenatural que aperfeiçoa a alma para torná-la capaz de viver com Deus, de atuar por seu amor. E esta é recebida no Batismo e quando a perdemos pelo pecado mortal a recuperamos no Sacramento da Confissão.

b) Graça Atual: São as intervenções de Deus em nossas vida para nos ajudar na conversão e no crescimento em santidade. Quer dizer, são aquelas graças que Deus derrama em momentos específicos de nossas vidas em que recebemos uma luz nova sobre a vida de Deus e a vida em Deus, ou em um momento de tentação para poder suportá-la e vencer, ou as graças que nos são dadas em um momento de sofrimento ou prova que nos ajudam a ter a fortaleza necessária para suportá-los. Estas graças são auxílios momentâneos da parte de Deus para nos ajudar em nossa vida diária.
A graça aumenta à medida que permitimos ao Espírito Santo atuar pela participação nos sacramentos, a oração e a vida virtuosa - tudo pelos méritos de Cristo. A graça nos assemelha à vida de Cristo: suas virtudes, forma de pensar e de agir.

O que são os dons?

Novamente voltando ao Catecismo, quando se fala de "dons" refere-se àqueles "presentes" que o Espírito Santo nos dá. Os Dons são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito Santo.

Os dons de santificação são aquelas disposições que nos fazem viver a vida cristã completando e levando a sua perfeição as virtudes em nossas vidas. Estes são sete e a Igreja se refere a eles como "os dons do Espírito Santo". Estes dons são recebidos no Batismo, mas estão como presentes sem abrir, logo na Confirmação voltamos a receber uma efusão do Espírito para desenvolvê-los.

Os carismas.
 Além dos dons de santificação, o Espírito Santo no dá carismas, dos quais São Paulo nos fala: "Há diversidade de carismas, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o Dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos." (1Cor 12, 4-7).
Os carismas são como ferramentas. A graça é dada a todos, mas a cada um carismas diferentes segundo nossa missão. Estes podem ser usados bem ou mal. Não são condição nem garantia de santidade. Já que Deus nos criou livres, os carismas podem ser bem ou mal utilizados. Pode ser o caso de alguém que tenha grandes dons - como o dom da palavra, cura, línguas, etc. mas não viva em graça, como foi o caso do filho pródigo que partiu da casa paterna e malgastou os bens entregues a ele.

Concluindo
enquanto a graça é participação da vida divina, os dons são presentes para ajudar-nos a viver esta vida da graça e para edificar a Igreja.
Todos os fiéis devemos invocar ao Espírito Santo e pedir-lhe que renove em nós as graças e dons que recebemos para que nossa vida cristã seja testemunho fiel de nosso Senhor Jesus Cristo e possamos levar ao mundo inteiro a Luz de Cristo.

O Espírito Santo na vida do cristão


O Espírito Santo na vida do cristão

João Paulo II, Audiência geral, 13 setembro 2000

1. No Cenáculo, na última noite de sua vida terrena, Jesus promete cinco vezes o Dom do Espírito Santo (cf. Jo 14, 16-17; 14, 26; 15, 26-27; 16, 7-11; 16, 12-15). no mesmo lugar, na tarde de Páscoa, o Ressuscitado se apresenta aos apóstolos e infunde o Espírito prometido, com o gesto simbólico do hálito e com as palavras: "¡Recebei o Espírito Santo!" (Jo 20, 22). Cinqüenta dias depois, outra vez no Cenáculo, o Espírito Santo irrompe com sua potência transformando os corações e a vida dos primeiros testemunhas do Evangelho.
Desde então, toda a história da Igreja, em suas dinâmicas mais profundas, está impregnada pela presença da ação do Espírito, "entregue sem medida" aos que crêem em Cristo (cf. Jo 3, 34). O encontro com Cristo comporta o dom do Espírito Santo que, como dizia o grande padre da igreja, Basílio, "se difunde em todos sem que experimente diminuição alguma, está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo como se fossem os únicos, e em todos difunde a graça suficiente e completa" ("De Spiritu Sancto", IX, 22). Desde os primeiros instantes de vida cristã.
2. O apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Gálatas que acabamos de escutar (cf. 5, 16-18. 22-25), delineia "o fruto do Espírito" (5, 22) fazendo a lista de una gama de virtudes que faz florescer na existência do fiel. O Espírito Santo se encontra na raiz da experiência de fé. De fato, no Batismo, nos convertemos em filhos de Deus graças precisamente ao Espírito: "A proba de que sois filhos é que Deus enviou a nossos corações o Espírito de seu Filho que clama: ¡Abbá, Pai!" (Gl 4, 6).
No próprio manancial da existência cristã, quando nascemos como criaturas novas, encontra-se o sopro do Espírito, que nos faz filhos no Filho e nos faz "caminhar" pelos caminhos de justiça e salvação (cf. Gl 5, 16).

O Espírito na prova

3. Toda a aventura do cristão terá que desenvolver-se, portanto, sob a influência do Espírito. Quando Ele nos volta a apresentar a Palavra de Cristo, resplandece em nosso interior a luz da verdade, como tinha prometido Jesus: "o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse" (João 14, 26; cf. 16,12-15).
O Espírito está junto de nós no momento da prova, convertendo-se em nosso defensor e apoio: "Quando vos entregares, não vos preocupeis de como ou o que deveis falar. O que tendes que falar vos será comunicado naquele momento. Porque não sereis vós que falareis, mas o Espírito de vosso Pai que falará em vós" (Mt 10, 19-20). O Espírito se encontra nas raízes da liberdade cristã, que liberta do jugo do pecado. O diz claramente o apóstolo Paulo: "A lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus te libertou a lei do pecado e da morte" (Romanos 8, 2). A vida moral --como nos lembra São Paulo-pelo fato de ser irradiada pelo Espírito produz frutos de "amor, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si" (Gálatas 5, 22).

O Espírito e a comunidade

4. O Espírito anima a toda a comunidade dos fiéis em Cristo. Esse mesmo apóstolo celebra através da imagem do corpo a multiplicidade e a riqueza, assim como a unidade da Igreja, como obra do Espírito Santo. Por um lado, Paulo faz uma lista da variedade de carismas, quer dizer, dos dons particulares oferecidos aos membros da Igreja (cf. 1Cor 12, 1-10); por outro, confirma que "todas estas coisas são obra de um mesmo e único Espírito, distribuindo-as a cada um em particular segundo sua vontade" (1Cor 12, 11). De fato, "em um só Espírito fomos todos batizados, para não formar mais que um corpo, judeus e gregos, escravos e livres. E todos bebemos de um só Espírito" (1Cor 12, 13). O Espírito e nosso destino Por último, devemos ao Espírito o poder alcançar nosso destino de glória. São Paulo utiliza neste sentido a imagem do "selo" e o "penhor": "fostes selados com o Espírito Santo da Promessa, que é penhor de nossa herança, para redenção do Povo de sua possessão, para louvor de sua glória"
(Ef 1, 13-14; cf. 2Cor 1, 22; 5,5). Em síntese: toda a vida do cristão, desde as origens até sua última meta, está sob a bandeira e a obra do Espírito Santo.

Mensagem do Jubileu

5. Gosto de lembrar, no transcurso deste ano jubilar, o que afirmava na encíclica dedicada ao Espírito Santo: "O grande Jubileu do ano dos mil contém, portanto, uma mensagem de libertação por obra do Espírito, que é o único que pode ajudar as pessoas e as comunidades a libertar-se dos velhos e novos determinismos, guiando-os com a "lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus", descobrindo e realizando a plena dimensão da verdadeira liberdade do homem. Com efeito --como escreve São Paulo-- "onde está o Espírito do Senhor, ali está a liberdade"" (Dominum et vivificantem, n. 60). Ponhamo-nos, portanto, nas mãos da ação libertadora do Espírito, fazendo nossa a surpresa de Simeão o Novo Teólogo, que se dirige à terceira pessoa divina nestes termos": "Vejo a beleza de tua graça, contemplo seu fulgor e o reflexo de sua luz; me arrebata seu esplendor indescritível; sou empurrado fora de mim enquanto penso em mim mesmo; vejo como era e o que sou agora. Ó prodígio! Estou atento, cheio de respeito para mim mesmo, de reverência e de temor, como se estivesse diante de ti; não sei o que fazer porque a timidez me domina; não sei onde sentar-me, aonde aproximar-me, onde reclinar estes membros que são teus; em que obras ocupar estas surpreendentes maravilhas divinas" (Hinos II, 19-27; cf. Exortação apostólica pos-sinodal "Vita consecrata", n. 20).

Quem é o Espírito Santo?


Quem é o Espírito Santo?
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade". Quer dizer, havendo um só Deus, existem nele três pessoas diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta verdade foi revelada por Jesus em seu Evangelho.
O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história até sua consumação, quando o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa. O Senhor Jesus no-lo apresenta e se refere a Ele não como uma potência impessoal, mas como uma Pessoa diferente, com seu próprio atuar e um caráter pessoal.

O Espírito Santo, o Dom de Deus
"Deus é Amor" (Jo 4,8-16) e o Amor que é o primeiro Dom, contém todos os demais. Este amor "Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).
Poste que morremos, ou ao menos, fomos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do Dom do Amor é a remissão de nossos pecados. A Comunhão com o Espírito Santo, "A graça do Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo sejam todos vossos" (2Cor 13,13;) é a que, na Igreja, volta a dar ao batizados a semelhança divina perdida com o pecado.
Pelo Espírito Santo nós podemos dizer que "Jesus é o Senhor", quer dizer para entrar em contato com Cristo é necessário Ter sido atraído pelo Espírito Santo.
Mediante o Batismo nos é dado a graça do novo nascimento em Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os que são portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Filho; mas o Filho os apresenta ao Pai, e o Pai lhes concede a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver ao Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se alcança pelo Espírito Santo.

Vida e Fé. O Espírito Santo com sua graça é o "primeiro" que nos desperta na fé e nos inicia na vida nova. Ele é quem nos precede e desperta em nós a fé. Entretanto, é o "último" na revelação das pessoas da Santíssima Trindade.
O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo do Desígnio de nossa salvação e até sua consumação. Somente nos "últimos tempos", inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, é quando o Espírito se revela e nos é dado, e é reconhecido e acolhido como Pessoa.

O Paráclito. Palavra do grego "parakletos", o mediador, o defensor, o consolador. Jesus nos apresenta ao Espírito Santo dizendo: "O Pai vos dará outro Paráclito" (Jo 14,16). O advogado defensor é aquele que, pondo-se de parte dos que são culpáveis devido a seus pecados os defende do castigo merecido, os salva do perigo de perder a vida e a salvação eterna. Isto é o que Cristo realizou, e o Espírito Santo é chamado "outro paráclito" porque continua fazendo operante a redenção com a que Cristo nos livrou do pecado e da morte eterna.

Espírito da Verdade: Jesus afirma de si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). E ao prometer o Espírito Santo naquele "discurso de despedida" com seus apóstolos na Última Ceia, diz que será quem depois de sua partida, manterá entre os discípulos a mesma verdade que Ele anunciou e revelou.
O Paráclito, é a verdade, como o é Cristo. Os campos de ação em que atua o Espírito Santo são o espírito humano e a história do mundo. A distinção entre a verdade e o erro é o primeiro momento de tal atuação.
Permanecer e atuar na verdade é o problema essencial para os Apóstolos e para os discípulos de Cristo, desde os primeiros anos da Igreja até o final dos tempos, e é o Espírito Santo quem torna possível que a verdade sobre Deus, o homem e seu destino, chegue até nossos dias sem alterações.

Símbolos

O Espírito Santo é representado de diferentes formas:
  • Água: O simbolismo da água é significativo da ação do Espírito Santo no Batismo, já que a água se transforma em sinal sacramental do novo nascimento.
  • Unção: Simboliza a força. A unção com o óleo é sinônimo do Espírito Santo. No sacramento da Confirmação o confirmando é ungido para prepará-lo para ser testemunha de Cristo.
  • Fogo: Simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito.
  • Nuvem e Luz: Símbolos inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. Assim desce sobre a Virgem Maria para "cobri-la com sua sombra" . No monte Tabor, na Transfiguração, no dia da Ascensão; aparece uma sombra e uma nuvem.
  • Selo: é um símbolo próximo ao da unção. Indica o caráter indelével da unção do Espírito nos sacramentos e falam da consagração do cristão.
  • A Mão: Mediante a imposição das mãos os Apóstolos e agora os Bispos, transmitem o "Dom do Espírito".
  • A Pomba: No Batismo de Jesus, o Espírito Santo aparece em forma de pomba e posa sobre Ele.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Novas comunidades


Dom Alberto fala sobre RCC e Novas Comunidades


Fonte: Canção Nova
 Dom Alberto Taveira
"Sacerdote nas Novas Comunidades: evangelização rigorosa, doação total de vida e espírito missionário."
“A Renovação Carismática Católica (RCC) precisa, continuamente, voltar às suas fontes, porque, senão, ela se torna apenas um grupo muito piedoso de pessoas que se reúnem toda semana para rezar”. Essas foram as palavras do Arcebispo de Palmas (TO), Dom Alberto Taveira Corrêa, a respeito da 'renovação' que ele acredita ser necessária nesse movimento eclesial.
Durante a entrevista coletiva, concedida ao Sistema Canção Nova de Comunicação, o prelado também salientou a formação dos padres das Novas Comunidades e a constante novidade da ação do Espírito Santo no sacerdócio dessas comunidades. Dom Alberto comentou sobre a nova Encíclica do Papa Bento XVI “Caridade na Verdade” e disse ter achado apropriada a escolha da data para o lançamento do documento papal – tendo em vista o encontro do G8 – por apontar a contribuição da Igreja para as questões sociais e atuais do mundo.

cancaonova.com: Qual é a essência da Renovação Carismática Católica (RCC)?
Dom Alberto: Quando se fala da essência da RCC precisamos pensar nos frutos da mentalidade nova que entrou na Igreja com o Concílio Vaticano II. A Renovação veio à tona na Igreja Católica logo depois desse Concílio. Então, não dá para não reconhecer que aquela foi uma das expressões da Teologia da Igreja, da ação do Espírito Santo. É claro que o Espírito suscita no correr da vida da Igreja essa força de carismas, de dons do Espírito para o bem dela e crescimento da evangelização.
A Renovação Carismática, para mim, hoje, significa a atualização da graça do Pentecostes e também da graça de vida em conjunto, porque temos muitos dons dados por Deus. Mas o que é importante nesse movimento eclesial é a graça coletiva, portanto, este tem essa realização no grupo de oração, no congresso, no trabalho missionário.

cancaonova.com: Qual a importância desse movimento para a Igreja?
Dom Alberto: Se tomarmos a carta que o Papa Bento XVI fez recentemente sobre o Ano Sacerdotal, vamos perceber que, inesperadamente, ela tem um convite aos padres para acolherem os movimentos e as novas comunidades. A importância é que a Renovação Carismática é uma das expressões dessa nova primavera do Espírito e essa é a missão que ela tem.

cancaonova.com: Sendo as novas comunidades uma das expressões da primavera da Igreja, qual a novidade do Espírito Santo no sacerdócio exercido nessas comunidades?
Dom Alberto: As novas comunidades e os novos movimentos, em sua maioria, tiveram a sua matriz leiga, mas pessoas também chamadas ao sacerdócio foram tocadas por essa realidade e pelos novos carismas. Hoje, o lugar desses sacerdotes nas novas comunidades é de uma evangelização rigorosa, de uma doação total de vida, de um espírito missionário muito grande. Eles são uma possibilidade para que essas comunidades ofereçam um serviço de evangelização, mas com uma ligação profunda com a Igreja local. Cada padre da nova comunidade está encardinado em alguma diocese, e como foi bem explicado no Congresso Preparatório do Encontro das Novas Comunidades e Movimentos de 1998 pelo padre Gianfranco Ghirlanda – que é hoje o reitor da Universidade Pontifícia Gregoriana –, o lugar dos padres nas novas comunidades tem de ser de um bispo benevolente que acolhe os candidatos, prepara a sua formação e, depois, os envia ao serviço daquele carisma.

cancaonova.com: Há uma formação especial para os sacerdotes dessas comunidades?
Dom Alberto: A formação é que eles primeiro fazem a experiência da espiritualidade das novas comunidades, depois, dentro da formação comum dos outros irmãos que vivem neste carisma, desenvolvem e descobrem a vocação sacerdotal. Daí, então, vão fazer a formação específica de Filosofia e Teologia tendo em vista o ministério sacerdotal.

cancaonova.com: Qual a importância da nova Encíclica de Bento XVI para a América Latina, em especial o Brasil, tendo em vista o encontro do G8 deste ano?
Dom Alberto: O início da Encíclica [Caridade na Verdade] é uma recordação dos temas que foram tratados por Paulo VI na carta "Populorum Progressum" [Progresso dos Povos] . Depois, no desenvolver dela, o Papa lança luzes, porque, no texto, ele faz uma comparação de como era o mundo na época da "Populorum Progressum" e quais são as situações que existem hoje com a globalização, os novos desafios, as técnicas e esse encontro grande do G8 que aconteceu na Itália. Eu penso que foi bem escolhida a data para o lançamento da Encíclica, pois ela coloca como objetivo a contribuição da Igreja para as questões sociais e atuais do mundo. Nos próximos dias, deveremos aprofundar a leitura desse documento e descobrir todos os seus desdobramentos para a vida do mundo.
É bom recordar que o próprio Papa Bento XVI já tinha dito, em outras ocasiões, que um dos desafios do nosso tempo é o chamado "relativismo", ou seja, quando as pessoas não querem descobrir a verdade, pois até nos diálogos se ouve: “Mas qual verdade? A minha ou a sua?”. Para nós existe uma verdade objetiva e ela tem um nome: Jesus Cristo. Se a Igreja quer viver na caridade, mas sem a verdade, então ela se torna sentimentalista ou até revolucionária. Mas quando a verdade e a caridade caminham juntas, descobrimos que ali existe o adequado modo de estar no nosso mundo. Se eu busco a verdade, eu tenho limites. Não se trata apenas de viver todos os recursos que a técnica oferece sem limites; estes são dados pela dignidade da pessoa humana, pelo respeito à vida das pessoas.

cancaonova.com: O senhor acredita que a Renovação Carismática Católica precisa de uma renovação?
Dom Alberto: A Renovação Carismática precisa, continuamente, voltar às suas fontes, porque, senão, ela se torna apenas um grupo muito piedoso de pessoas que se reúnem toda semana para rezar. Assim, se ela não tiver vigor e uma dimensão missionária de fronteira, de tocar com a sua graça as pessoas que estão mais distantes, ela deixa de ser aquilo que é a sua característica. Em muitos lugares, a Renovação começa a se acomodar, porque as pessoas pensam que ela é, simplesmente, um evento de massa: ou são as músicas, os shows... ou a reduzem a uma busca primária de cura e de libertação. No entanto, a Renovação Carismática é muito mais do que isso. Embora ela se expresse em todas essas realidades, ela é a graça de um novo Pentecostes, o qual precisa balançar as estruturas e a vida das pessoas. Portanto, os grupos de oração têm de se renovar na busca e no exercício dos carismas, na busca da efusão do Espírito Santo, caso contrário, eles vão se tornar um grupinho de pessoas muito piedosas, mas nunca exercerão aquilo que a Renovação, de fato, é.

Grupos de Oração e Comunidades Ministeriadas


Grupos de Oração e Comunidades Ministeriadas


A evangelização supõe uma ação continuada que possibilite ao fiel evangelizado, um caminhar na experiência de Deus, uma perseverança, uma formação, um crescimento dentro da espiritualidade e maneira de “ser Igreja” escolhido por ele. Este caminhar só é possível em uma comunidade.
O ser comunidade é uma aspiração natural e própria daquele que descobriu Deus como Pai por Jesus Cristo e Dele recebeu o Espírito Santo que nos torna todos irmãos. A aspiração à vivência fraternal e solidária é da própria fé, e temos caminhar até realizar o ideal evangélico de não possuir nenhum necessitado entre nós.
Os cristãos anseiam por comunidades, se não no começo de sua trajetória eclesial, pelo menos na medida em que avançam. Quando descobrem ou redescobrem uma nova maneira de viver a fé evangélica e a pertença eclesial sentem muito claramente que a missa dominical não basta para alimentar sua fé. Eles sentem necessidade também de falar com outras pessoas acerca do que fazem e do que crêem, e que, aliás, descobriram graças aos meios que a Igreja lhes propiciou. Estariam eles como que impedidos de prosseguir numa perspectiva comunitária simplesmente porque isso é mais difícil ou menos habitual na Igreja de todos os dias? Precisamos refletir sobre o que poderia ser uma experiência normal de comunidade para cristãos comuns que o Espírito convoca para viver em Igreja. O Grupo de Oração da Renovação Carismática oferece uma oportunidade privilegiada para realizar esta experiência.(1)
“O grupo de oração não é um fim em si. Antes estimula a formação de comunidades cristãs e constitui um dos meios a disposição dos fiéis para realizá-la em sua família, paróquia e ambientes de vida e de trabalho”.(2)
É desejo de Deus que a comunhão entre os cristãos seja testemunho visível de Seu amor para com os homens, concretizado na morte e ressurreição de Jesus (cf. Jo 17,21). Os primeiros cristãos, com efeito, o compreenderam assim. Depois de terem, no dia de Pentecostes, recebido o Espírito Santo, continuavam fiéis à vida comunitária, à fração do pão e nas orações. (cf Atos 2,42-46.)
Não deixa de ser surpreendente que São Paulo ligue sua exposição sobre os carismas com a sua doutrina em que a união entre os cristãos fica formulada em função do pertencer ao único Corpo Místico de Cristo (1Cor 12, 12-27). Os carismas são dados e praticados para levar o único Corpo de todos os cristãos a maior crescimento, comunhão e fraternidade.
Os abundantes frutos da experiência do Espírito serão possíveis na medida em que caminharmos para um cristianismo vivido em conjunto. Ela (a experiência do Espírito) não tem nada de uma experiência religiosa isolada, pelo contrário, liberta forças, pelas quais os cristãos passam a construir uma comunidade.
Para que a experiência pentecostal tenha efeitos duradouros, é necessário mais do que os aspectos subjetivos da experiência de Deus, que chamamos de batismo no Espírito Santo. São absolutamente indispensáveis estas três coisas: 1 - Liderança autêntica e comprometida; 2 - comunidades cristãs em que homens (e mulheres) que desejam viver no Espírito possam apoiar-se e confirmarem-se uns aos outros; 3 - ministérios organizados que promovam o crescimento de toda comunidade e realizem a Missão.
“O Grupo de Oração constitui um ambiente de liberdade, de confiança e de partilha mútuas, no seio do qual as relações interpessoais podem alcançar um nível profundo de comunhão, graças a uma abertura comum ao Espírito de Amor. De grande importância para a dinâmica destes é o fato de todos participarem amplamente na vida total da comunidade. Cada um dos membros é chamado a contribuir para a vida de oração e edificação da comunidade, assim como para certas formas de serviço ou de ministério no grupo. Isso tende a fazer do Grupo uma comunidade de intensa participação”.(3)
E interessante notar que “os primeiros” indicam um caminho comunitário para os Grupos de Oração. Penso que a permanência da RCC como experiência continuada do Espírito, expressão da “pentecostalidade da Igreja” (P. Joãozinho) passa necessariamente pelas comunidades de renovação, originadas no “Grupos de Oração” e organizadas a partir dos ministérios, que têm suas raízes nos carismas e assim oferecendo um “espaço de vida fraternal e solidária”, resposta para o mundo, desafio para a Igreja.
O batismo no Espírito Santo dos que crêem na morte salvífica e na ressurreição de Cristo tem por finalidade, não somente a de reconciliar Deus com o homem, mas também de reconciliar os homens entre si. Esta reconciliação não modifica somente o coração dos homens, tornando-os dispostos a perdoar, a exemplo do coração de Jesus, senão cria também uma nova forma de sociedade: a comunidade cristã.
As reuniões do Grupo de Oração não podem ser fim delas mesmas, devem produzir um novo relacionamento, uma fraternidade efetiva entre os participantes. É preciso incentivar outros encontros com a finalidade de promover este sentimento fraternal e de pertença que caracterizam uma comunidade.
Estes “segundos encontros” têm um tríplice objetivo: criar unidade, fazer os participantes (membros) progredirem até a maturidade cristã, e incentivar a dedicação e o relacionamento pessoal. Aqui encontramos a oportunidade impar para o exercício de vários ministérios, do atendimento e aconselhamento (Ministério de Oração pela Cura e Libertação) até o serviço de promoção humana e assistência social (Ministério de Promoção Humana)
“Ministério é, antes de tudo, um carisma, ou seja, um dom do Alto, do Pai, pelo Filho, no Espírito, que torna seu portador apto a desempenhar determinadas atividades, serviços e ministérios, em ordem à salvação”(4) . A partir desta consideração, na RCC e, portanto no Grupo de Oração, quando o exercício de um (ou de vários) carisma necessita de um serviço continuado, “organiza-se” um ministério.
“Entendendo-se aqui, por ‘organizar-se’, o estabelecimento de certas ‘normas’ de conduta, a eleição de certos conteúdos de formação que os membros daquele específico ministério deveriam conhecer para exercitar seu serviço adequadamente, o estabelecimento de uma ‘coordenação’ que pudesse articular e direcionar os membros de tal ministério, e assim por diante”.(5)
Esta “ministerialização” dos Grupos de Oração, como caminho para a comunidade, passa pela mudança de mentalidade em relação aos próprios Grupos de Oração, transformando-os em grupos efetivamente participativos. De um Grupo “assistente” para um Grupo “participante”.
Os ministérios são suscitados pelo Senhor Jesus para levar o cristão ao estado de adultos na medida e estatura do próprio Cristo. Devemos buscar a maturidade e sair da infância.
Considerando o “Grupo de Oração”, nota-se que os modelos adotados para as Reuniões de Oração, dificultam uma contribuição efetiva de seus participantes e o exercício dos carismas.

Grupos de Oração, uma análise atual.
É muito comum queixar-se de uma “Igreja anônima”(6), imensa, porque o cristão não tem a oportunidade de vivenciar, mais do que uma vez por semana, uma experiência comunitária que permita perceber o que é partilhar a vida de fé, ou que brota da fé. Esta queixa do anonimato atinge também nossos Grupos de Oração, onde o fiel não identificado, pouco participa, somente “reage” a motivação da “animação”, mas não partilha sua vida e não se dá a conhecer.
O “Grupo de Oração (é) o lugar de realização da identidade da Renovação, da missão, da comunhão eclesial, e da vivência da fraternidade”(7), e principal visibilidade da RCC na Igreja, espera-se que neles brotem “verdadeiras expressões de comunidade, como um modo de vida que coloca seus participantes sempre mais disponíveis para a obra de Deus, a serviço do outro.”(8)
Este ideal de comunidade como “um modo de vida” ainda não é tão presente, notando-se a falta de conhecimento e relacionamento fraterno entre os participantes dos Grupos de Oração e, algumas vezes, mesmo entre os membros dos Núcleos de Serviço.
Sem este elemento de fraternidade e comunhão os Grupos de Oração correm o risco de se tornarem uma prática devocional, ou ainda uma fuga “emocional” do cotidiano, não realizando a “experiência de Pentecostes” já que “não basta alimentar o bem no coração, mas é preciso praticá-lo de fato. Essa práxis se dá, realmente, no relacionamento interpessoal, no auto-posicionamento comunitário, na sociedade em que se vive o que se nutre no coração.”(9)
Os carismas são dados em “vista do bem de todos” (1Cor 12,7), são para a edificação da comunidade cristã(10), portanto nos Grupos de Oração os carismas serão “autênticos” se construírem a comunidade cristã. Daí se as manifestações dos carismas não construírem comunidades correm o risco de se tornarem apenas “espetáculos carismáticos”. Para isso concorre, atualmente, em alguns casos, o grande desenvolvimento do “ministério de música”, do “ministério de animação” e dos “grupos de cura e libertação”, que tende a “monopolizar” a atividade do Grupo – Reunião de Oração, gerando “emocionalismo e sensacionalismo” que podem substituir a verdadeira experiência do Espírito, ou ainda, um intimismo que favorece o individualismo, dificultando a identificação de si e do outros, a dimensão da alteridade e da comunidade.
A crítica que se faz a uma liturgia “por demais óbvia e repetitiva”(11), que impossibilita a liberdade de expressão e a vivência da comunidade, pode ser estendida às Reuniões de Oração, em alguns casos, já que existe quase que uma “seqüência liturgica” a ser seguida.
A rotatividade em alguns Grupos de Oração denuncia a falta de perspectiva de engajamento nas atividades do movimento e, ou, a dificuldade de participar dos núcleos de liderança, por uma burocracia excessiva. Pode significar também o esgotamento da “experiência emocional” que se faz no Grupo de Oração, que não gerou convicções e relacionamentos capazes de sustentar uma vida cristã adulta e madura. “A experiência oferecida deve ir além da ‘comunidade emocional’, que satisfaz os sentimentos, mas que não chega a uma experiência autêntica da fé e do compromisso”.(12)
Os Grupos de Oração “não sendo fechados em si mesmos e não sendo um fim em si mesmo, buscam construir uma comunidade adulta de cristãos”.• Para tanto se faz necessário dar um passo além dos Grupos de Oração. É próprio da experiência do Espírito da descoberta do outro, e a partir desta descoberta a “partilha dos dons, para que se chegue a partilha dos bens”.
Tácito José Andrade Coutinho (Tatá)
Coordenador do Grupo de Reflexão Teológica* da RCC-Brasil
(*) O grupo de Reflexão Teológica, juntamente com o Conselho Editorial e os Coordenadores Nacionais dos Ministérios na RCC, compõem a Comissão de Formação da RCC-Brasil.



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