segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As máscaras que se opõem ao amor

Por: Juan L. Pedraz

Se há uma decisão importante na vida do ser humano, esta decisão é casar; no entanto, se há algo que não se pensa, é exatamente isso. Por que o amor à primeira vista, aliás, o desejo a primeira vista, faz fracassar noivados e casamentos?

Existem três armadilhas para se enganar no amor:

• Acreditar que se amam quando somente existe desejo entre os dois.

• Acreditar que têm muito em comum, quando talvez não tenham absolutamente nada.

• Acreditar que estão pensando, quando na verdade estão sentindo.
 
Chamo armadilhas porque a armadilha consiste em fazer acreditar que não são armadilhas, é por isso que a pessoa confia, diminui a vigilância e, de um momento para o outro, se encontra presa irremediavelmente.

Amor ou desejo?

A primeira armadilha é confundir a paixão com o amor. Os namorados que chegam ao “x” do problema vêem que ele consiste em averiguar se realmente se amam ou se, principalmente, sentem paixão. Em síntese, o problema está em averiguar se meu namorado ou minha namorada é assim, ou seja, bom e responsável (e então seguirá sendo sempre), ou se somente está atuando, isto é, está tratando de aparentar que é uma boa pessoa e, até mesmo inconscientemente, atua, faz um teatro. O amor exige muitas renúncias e sacrifícios, e se a pessoa não for realmente generosa, depois de algum tempo será muito difícil fingir.

Existe uma maneira simples de averiguar o que uma pessoa realmente é, e não o que parece ser: se seu namorado for compreensivo, tiver muita consideração e for responsável, será assim com todo mundo e não somente com você. A mesma coisa poderia ser dita da namorada. Se um metal for ferro, reagirá como ferro com qualquer metal; se somente reage como ferro com três metais, definitivamente não é ferro.

A mesma coisa acontece aqui: se alguém só for respeitoso, prestativo e amável com determinadas pessoas, definitivamente não é respeitoso, amável e prestativo, ou seja, somente está atuando. É preciso observar como esta pessoa se comporta com aqueles de quem não espera nada, como suporta e reage diante dos problemas e tensões comuns em toda convivência. Como se comporta com seus pais, irmãos, amigos e inimigos, companheiros, garçons, etc.? Ali está a chave.

Mas acontece que os namorados somente julgam um ao outro pela forma como o parceiro o/a trata. E como a noiva vê que ele é bom e simpático, pensa que ele é realmente assim. Não se importa em saber como ele trata aos outros porque isso não a afeta, não tem que sofrer, e diz: ”Comigo ele é diferente”. Poderíamos lhe dizer: “Por agora, mas deixe que o tempo passe e diminua a paixão...”. Se com ela é diferente, isto quer dizer que ele não é assim, está atuando.



O maior erro é pensar que com ela sempre vai ser diferente. Isto supõe uma ingenuidade do tamanho do monte Everest, pois não sempre vai ser assim, porque o gênio acabará por se impor. A beleza amansa os homens selvagens e amacia o gênio, mas – quando a beleza ou o impacto passar – o ser humano voltará a ser o que era.

Existe uma razão que impede que os namorados se mostrem como na verdade são: a falta de ocasiões em que um ser humano se mostra tal como é. Conhecemos os seres humanos nos momentos de tensão, de crises, de fracasso, de frustração, como diz Saint-Exupery: “O homem mede a si mesmo diante do obstáculo”.

“O casamento é a situação existencial que mais felicidade pode proporcionar à maioria dos seres humanos”, por isso todo mundo quer se casar, embora vejam casos de fracassos ao seu redor. Percebem que determinada esposa é voluntariosa, altaneira, egoísta e procura explorar um homem para que pague seus caprichos, ou que outro lar se transformou em sala de torturas. Quando o casamento deveria ser uma estrutura criada pelo amor total para se expressar e se perpetuar.

Achar que têm afinidades quando, na verdade, só gostam de estar juntos

Esta é a segunda armadilha que a atração física pode preparar para os namorados. O casamento não é a contemplação do outro, é convivência. É preciso que o amor entre eles seja também amor de amizade, devem compartilhar interesses e valores. Quando os esposos não são amigos, o casamento termina morrendo por monotonia ou por desânimo (porque é difícil viver permanentemente frustrado). Estas tensões são fortes também quando são de diferentes religiões, ou quando os dois aceitam a mesma fé, mas um é praticante e o outro não.

Acreditar que estão pensando, quando só estão sentindo

Esta é a terceira armadilha. Achar que pensam quando somente racionalizam o desejo. Quando se pensa, se consideram todas as razões a favor e contra; quando se sente, são consideradas somente as razões ditadas pelo desejo, aquelas que o justificam. As razões contrárias não são contempladas; e quando são, não impressionam, ou são rejeitadas. É típico o caso em que dizem à moça: “Este rapaz não lhe convém porque é preguiçoso, ou porque é bêbado ou mulherengo”. E ela responde: “É sim, mas o meu amor vai transformá-lo”. A realidade mostra que, no logo prazo, não vai mudar porque ele já tem hábitos formados.

Naturalmente, quanto mais forte for a paixão e o desejo, maior será a incapacidade de pensar objetivamente. Poucos desejos têm a violência e a intensidade do desejo físico e sexual. Por isso, quando os noivos estiverem profundamente apaixonados, terão pouca capacidade para raciocinar. Dizem que “o amor é cego”, e aqui existe uma confusão entre amor e desejo. O amor verdadeiro é muito lúcido porque está fundamentado no conhecimento da pessoa e, por isso, vai crescendo com este conhecimento. O desejo, ao invés, nem vê nem quer ver, ou somente vê o que quer ver.

Os namorados devem pensar quando ainda forem capazes de pensar, isto é, quando ainda não estiverem apaixonados. No início, não penam porque não se preocupam, porque não estão apaixonados, por isso é preciso pensar: “De quem vou me apaixonar?”.

É preciso ver como começa a maioria dos namoros: gostam um do outro, continuam saindo e vão gostando cada vez mais. Começam a namorar. Agora já não podem pensar, somente podem sentir. Já não raciocinam, somente racionalizam. Apaixonam-se, sem ter averiguado antes se deveriam se apaixonar. Uma vez apaixonados, mesmo se ele for Pedro “O Malvado”, vão terminar se casando, de qualquer maneira.

O único tempo útil que os namorados têm para pensar objetivamente, se convém ou não o namoro, é quando ainda não estiverem apaixonados, mas vêem que podem chegar a se apaixonar. “No meu caso é diferente”, dirá alguma, e depois acontece a mesma coisa que com as outras e acabam igual. O que lhe faz pensar que seu caso é diferente? A vontade que têm de acreditar nisso. Todos os namorados pensam que seu amor é único.

Todos os sentimentos duram enquanto acreditarem que são eternos, por isso também a pessoa que passou por um desengano amoroso acha que para ela a vida já não tem sentido. Alguns pensam em suicídio, mas, um pouco depois, vão terminar rindo da própria estupidez.

Outras dizem: “Vão ver como eu vou mudá-lo”. Uma vez que o homem acredita que já tem a moça “no papo”, voltará a ser o que era. Não se trata de uma mudança tática; o namorado faz verdadeiros esforços e sacrifícios, mas são os sacrifícios que todo mundo faz para conseguir aquilo que desejar, mas que durará o tempo que o desejo durar. O erro da namorada está em pensar que sua influência sobre ele não vai diminuir. Repete-se o slogan: “Mas todo mundo pode mudar...”. Se uma pessoa mudou, tem que ter mudado com todos, e não somente com a namorada. Lamentavelmente, não sabemos experimentar em cabeça alheia.

Ouve-se dizer: “Amo-o tanto que não me importa o que no futuro me possa fazer”. Quando ouvir os insultos e os palavrões, quando ele chegar bêbado, quando você sentir indiferença com a sua pessoa, quando já não estiver interessado em você, aí então será quando deveria não se importar. Porém, quanto mais você amar, mais vai se importar.

(Resumo elaborado por Rebeca Reynaud, baseado no livro de Juan L. Pedraz, S.J.: Tres trampas del noviazgo).
 

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