terça-feira, 5 de abril de 2011

Grupo de Oração




A Reunião de Oração
I - Introdução
O segundo momento do Grupo de Oração é a reunião de Oração. A reunião de oração é um meio privilegiado para a comunicação do batismo no Espírito e a conseqüente experiência de Deus. É, portanto, um dos principais momento da dinâmica da Renovação Carismática Católica.
A reunião de oração é informal, marcada antes de tudo pela espontaneidade dos participantes e pela abertura ao Espírito. Por isso mesmo, não existem esquemas rígidos nem propostas definidas para o seu desenrolar.
No entanto, a reunião de oração não se desenvolve de maneira indefinida e sem direção. Há um conjunto de orientações que imprimem a ordem e o respeito, proporcionando melhor ambiente para a atuação livre do Espírito Santo, evitando excessos e eventuais desvios. Portanto, o que se segue não tem a finalidade de enquadrar ou padronizar as reuniões, mas de auxiliar em sua condução e melhorar seus resultados.
II – Conceito
Reunião de Oração é o momento em que os participantes do Grupo de Oração se encontram, semanalmente, para a oração, especialmente o louvor. Esse momento é aberto para outras pessoas que poderão, a partir dele, começar a fazer parte do Grupo de Oração, iniciando uma caminhada de conversão e crescimento perseverante na fé.
Por isso mesmo, é comum que os participantes da reunião de oração sejam bastante diversos, a exemplo da multidão no dia de Pentecostes (cf. At 2, 1-13). Além dos perseverantes membros do grupo (aqueles que estão na reunião todas as semanas), é comum se introduzirem nela: curiosos, ociosos, desesperados, depressivos, revoltados, entre outros. Alguns vão à reunião por livre vontade, sem motivo aparente, ou simplesmente porque foram convidados; outros, notadamente os jovens, vão por causa da animação; existe, ainda, os que estão buscando algo para si ou para outrem (cura física, libertação das drogas ou da bebida, conversão de um parente ou amigo etc).
A reunião de oração é, por assim dizer, um momento pentecostal: com os corações compungidos (cf. At2,37), os fiéis são levados à vivencia da fé, na fraternidade e no comprometimento missionário. Nela, os carismas devem ser manifestados sem restrições, pois fazem parte do ver e ouvir que convencem aqueles que estão chegando. A reunião de oração não é:
a)     Uma aula
Não se trata de um momento de ensino bíblico, teológico ou moral. Não se pode dizer nem mesmo que a reunião é um aprofundamento catequético, a não ser como realidade vivencial. O essencial é a experiência do batismo no Espírito, do louvor e da conversão. Portanto, apesar do seu caráter instrutivo e de se reservar um momento específico para a pregação, o mais importante da reunião de oração é a sua dinâmica de falar e ouvir de Deus.
b)    Um grupo de discussão
A reunião de oração não é para discussão política, social ou mesmo religiosa, por mais importantes que sejam tais assuntos. Existem ou devem ser criados espaços propícios para esse tipo de debate. Sobretudo em pequenos grupos, é comum que no momento da pregação ou fora dele pessoas ansiosas por dizer algo ou com nível maior de politização, introduzam questões que podem gerar tumulto ou provocar dos presentes. A liderança da reunião deve acautelar-se contra tais coisas e conter habilidosamente essas pessoas.
c)     Uma sessão de terapia
A reunião de oração não é um momento criado para descarregar tensões emocionais adquiridas durante a semana. Algumas pessoas fazem do tempo de oração semanal uma espécie de sessão terapêutica, para a retomada do vigor e do ânimo ou até a cura das emoções, o que acaba por acontecer no próprio desenrolar da oração quando a pessoa louva e experimenta a presença de Deus e não por rezar na expectativa de receber um favor. O mais importante não deve ser nem mesmo a cura do Senhor, mas o Senhor que cura. O que se há de buscar em primeiro lugar não é a saúde, mas a santidade. (...)
Se temos confiança na Palavra do Senhor, certos de que é mais fácil passarem o céu e a terra do que ela deixar de cumprir-se, confiaremos a Ele todas as nossas  preocupações, porque Ele se preocupa conosco (cf. I Pd 5, 7). Ele é tão bom que nos responderá antes mesmo que o chamemos, o solucionará até que os problemas em nossas vidas.
d)    Uma reunião social
A reunião de oração não pode se transformar numa simples ocasião para encontro de amigos, para tratar de assuntos de interesse comum ou para tomar lanche e chá.
A reunião tem finalidade muito bem definidas, centradas na pessoa de Jesus.
III – Finalidades
Podem ser indicadas pelo menos quatro finalidades principais de uma oração:
a)     Para louvar o Senhor
Apesar de não se prescindir de outros tipos de oração (petição, intercessão, cura, etc), o louvor exerce um certo primado na reunião. A experiência da Renovação Carismática Católica é uma experiência de resgate da oração de louvor, centralizada na pessoa de Jesus muito mais que nas necessidades do orante.
Por isso, o louvor ocupa lugar privilegiado. Nele, o Senhor atua derramando graças. O louvor é como que o preparo que o Senhor comunique a sua palavra de forma atual, por meio das profecias. O centro da reunião de oração é Cristo, a alma é o Espírito Santo, e a finalidade é adorar, louvar e glorificar o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é também nosso Pai.
b)    Para proporcionar a experiência do batismo no Espírito
Essa finalidade não deve ser colocada em plano secundário. Tampouco, o batismo no Espírito Santo deve ser considerado ponto ulterior a uma etapa de formação. Portanto, a reunião deve favorecer o derramamento do Espírito, proporcionando aos participantes uma experiência de Deus.
Essa experiência é quase sempre manifestada no interior das pessoas e constitui-se em ponto de partida para sua vida de conversão.
Apesar disso, o batismo no Espírito não deve ser confundido com uma experiência meramente subjetiva, embora possa trazer consigo uma boa carga de emotividade.
c)     Para evangelizar querigmaticamente
A reunião de oração tem, por sua própria natureza, a facilidade em comunicar querigmaticamente o evangelho, sobretudo o amor de Deus e a salvação. Uma reunião conduzida na unção do Espírito pode fazer com que as pessoas descubram e sintam que Deus as ama incondicionalmente e que foi capaz de dar o Seu próprio Filho para resgatá-las do pecado assim, toda reunião de oração de oração é uma manifestação salvífica de deus.
d)    Para construir a comunidade cristã
A reunião de oração também tem a finalidade de inserir as pessoas numa realidade comunitária. Ela constrói laços, gerando a necessidade da partilha e da comunhão. Assim, a reunião de oração induz a uma experiência religiosa mais freqüente e comprometida seja no próprio Grupo de Oração ou numa outra realidade comunitária eclesial.
IV – Características
É possível destacar como principais características de uma autêntica reunião de oração o fato de ela ser:
a)     Centralizada na pessoa de Jesus
Conforme foi referido, o centro de cada reunião de oração é o Senhor Jesus. Ele é o pólo de atração da comunidade e a fonte donde emana toda a sua força. Uma autêntica reunião de oração é a cristocêntrica, eliminando toda perspectiva meramente individualista.
b)    Carismática
A reunião de oração deve ser essencialmente carismática, tendo como principio dinâmico o Espírito Santo. A Renovação Carismática Católica caracteriza-se pelo uso abundante dos carismas. Portanto, será comum nas reuniões a oração em línguas, as profecias, as curas e também os outros carismas (cf. ICor 12, 4-11), todos ordenados à caridade.
Os dirigentes da reunião de oração não devem resistir aos carismas, por medo ou indefinição. Isso seria recusar o poder de Deus.
Os carismas são elementos normais da oração; ao contrário, a sua ausência é que seria de estranhar. Quando não aparecem esses sinais do Espírito, devemos analisar qual é o obstáculo que impede essa demonstração. A fé nos deve levar a deixar manifestar todos os seus dons e frutos.
Reuniões de oração sem carismas transformam-se em círculos oracionais comuns, talvez bastante frutuosos, porém fora do contexto pentecostal próprio da RCC. E não podemos ter um grupo de oração carismático se não queremos ter os dons do Espírito Santo, o poder do alto em ação.
c)     Fraterna e alegre
A reunião de oração deve ter uma atmosfera de fraternidade e alegria, que faz as pessoas se sentirem acolhidas, amadas e felizes durante o tempo em que ali estiverem. Esse clima é que faz com que, muitas vezes, aqueles que vêm à reunião pela primeira sintam o desejo de voltar. A alegria, às vezes explosiva, é uma outra nota distintiva das reuniões de oração.
d)    Espontânea e expressiva
Como dito, o encontro de oração é informal. A reunião não é uma solenidade, embora possa ter momentos com esse caráter. Sua marca é a espontaneidade dos participantes que, na liberdade do Espírito, sentem-se à vontade para louvar em voz alta, cantar, bendizer e gesticular.
Os gestos livres tornam a reunião expressiva, de maneira, de maneira que os bons sentimentos interiores dos participantes sejam ‘comunicados’ e suscitem outras atitudes interiores. A expressividade é também traço característico da reunião de oração da Renovação Carismática. Sempre que o homem ora, põe em jogo seu espírito, sua alma e seu corpo. É o homem inteiro que se dirige a Deus, que o escuta e se compromete com Ele. Por isso, levantar as mãos, aplaudir, mover-se e até dançar, são diversas manifestações da oração do homem...’.
e)     Ordenada
Apesar de expressiva e espontânea, a reunião de oração deve ser marcada pela ordem (cf. I Cor 14, 26-40). Por isso, toda reunião de oração, por menor que seja, deve ter um dirigente principal. Mesmo a equipe que lhe auxilia não deve ‘passar por cima’ dos seus direcionamentos. A função da equipe auxiliar é ‘descobrir a vontade do Senhor para a assembléia e, ao mesmo tempo, ser um apoio de oração para o dirigente principal.
Esta equipe serve também como filtro para as profecias, testemunhos, visões e todo o tipo de manifestações carismáticas que surgem durante a reunião. Portanto, a equipe auxiliar ajuda o dirigente no discernimento dos passos a serem dados, mas deve sempre sugerir e não encobrir, para não comprometer a autoridade do dirigente e confundir a assembléia. O dirigente por sua vez, deve ouvir sempre os seus auxiliares , sabedor de que não domina o Espírito, mas precisa da ajuda dos irmãos no serviço.
O ritmo impresso pelo dirigente e sua equipe não deve impedir a ação do Espírito, mas, pelo contrário, facilitá-lo. Os dirigentes devem tomar cuidado para não monopolizar a oração inibindo a participação de todos. É também importante que se respeite o horário de início e para o fim, evitando-se assim problemas com outros compromissos, sobretudo com familiares.
V – Conclusão
A reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de Oração, juntamente com outras pessoas, se reúnem para a oração. Tem como finalidades principais: louvar o Senhor, proporcionar e experiência do batismo no Espírito Santo, evangelizar querigmaticamente e construir a comunidade.
Para estar no contexto pentecostal da Renovação Carismática Católica, a reunião precisa ser: centralizada na pessoa de Jesus, carismática, fraterna e alegre, espontânea e expressiva, mas sobretudo, ordenada.

Extraído do Módulo Básico de Formação da RCC (Apostila 3)

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