quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Afetividade feminina hoje: feridas mal resolvidas


Eu não sei o que tem acontecido conosco, jovens católicas. Estamos passando por uma carência afetiva fora do que é normal no ser humano. Está acontecendo uma onda turbulenta de sentimentos mal resolvidos e de feridas mal cicatrizadas entre as meninas que, onde ando, recebo testemunhos de meninas que estão muito carentes, mas que continuam afirmando algo que não vivem.


E isso tem refletido nos inúmeros namoros e casamentos à beira da ruína e recheados de pecado, que impedem nossos irmãos e irmãs de serem sal e luz nas suas realidades. E por que a mulher?

O ser humano tem uma forte inclinação ao comodismo, afinal de contas, temos tantas facilidades em nossas vidas, que acabamos por nos acostumar a uma vida sem lutas. Se tivéssemos vivido nos anos 70 ou 80 nossa juventude talvez essa situação fosse um pouco diferente por causa do contexto histórico de lutas, dentre outras coisas, pela abertura política.

Diferente daquela geração, hoje nós temos liberdade para dizermos o que pensamos o que sentimos o que aprovamos ou não. Contudo, não usamos disso para a construção do Reino e para nossa santificação. Deixamos nos atingir pelo bombardeio de informações promíscuas dos meios de comunicação, não questionamos o que nos é oferecido e acabamos colocando em risco nossa castidade. E pra mulher é um pouco mais difícil. Por quê?

A mulher é muito mais vulnerável: Ela tem menos neurônios. Isso mesmo. Alguns bilhões a menos comprovados cientificamente. MAS, homens não se ensoberbeçam e mulheres não me coloquem na lista negra (se ambos já não o fizeram…). Aqui vai uma explicação também científica: nós temos bilhões de neurônios a menos, mas temos infinitamente mais sinapses do que os homens, o que nos faz ser mais perceptivas em relação ao número de informações que recebemos de um determinado ambiente.

Em outras palavras, nossos neurônios são mais eficientes, um neurônio feminino capta igual ou maior número de informações de dois ou mais neurônios masculinos. Isso explica porque somos mais detalhistas. Tal fato pode não ser uma vantagem, depende do uso que fazemos disso: o número de informações nocivas e de pecado que podemos perceber também são maiores.
Daí a nossa necessidade de vigiar sempre mais. Eu bem sei na carne que não é fácil viver diariamente a castidade, passar a vida velando pela santidade, mas sem luta não se chega a lugar algum. Ninguém se faz santo sem luta e sem vigilância. Além disso, nenhum dia é igual ao outro, as tentações contra nós investidas sempre vêm de diferentes lugares. Basta uma ocasião infeliz para que nos percamos.

O que tem acontecido ultimamente é que nossas feridas afetivas estão mal curadas. Infelizmente Deus não tem alcançado todas as informações que já recebemos e que nos causaram algum dano à alma. Não nos permitimos ser curadas totalmente, nossa razão e visão humanas limitam a ação de Deus. O resultado são meninas feridas, sentindo-se desvalorizadas, querendo incessantemente sarar essas feridas através de um relacionamento que tem por destino último o pecado. E tudo vira uma bola de neve. E, mesmo reconhecendo a misericórdia de Deus, não se apossam da graça da cura do espírito e da alma que o Senhor não cansa de nos proporcionar.

Meninas, não é um namoro que vai curar a carência, a solidão, a falta de amor, que vai elevar sua auto-estima. É o ESPÍRITO SANTO DE DEUS. "Ah, eu sei, até já preguei isso… mas é difícil…". Não importa se você já está na caminhada há um mês, seis meses, dois, três, quatro anos, você ainda não alcançou o céu, é preciso continuar lutando e confiando na misericórdia Daquele que prometeu e deu-nos a salvação com sua morte na Cruz. Ao se tratar de vigilância, ninguém erra por excesso. Não desistamos do céu, da vida livre, da salvação.

Nós temos tudo, temos a Trindade Santa e temos Maria. Imitemos Maria! Esperemos em Deus, confiemos na fidelidade Dele. E, se preciso for, façamos como uma irmã da minha comunidade: desçamos ladeiras correndo à meia noite, descalça e sozinha para fugir de baladas e de ocasiões que nos levam a pecar. Se for preciso, durmamos abraçadas com São José, Santo Antônio, Santo Expedito, sei lá, mas tenhamos a clareza e a convicção de que SÓ DEUS SEMPRE É A SOLUÇÃO. Cada encontro com Ele sempre é novo. Façamos a experiência de clamar por um diferente sentir, de termos uma nova experiência com o único amor que nos basta: o amor que vem do coração misericordioso de Cristo.

A responsabilidade é de todos. Meninos santifiquem suas namoradas, irmãs, amigas, primas. Orem por aquelas que constituirão com vocês a família do céu aqui na terra. Orem e ajam! Clamem por nossa santificação e, principalmente, ajudem-nos não tentando com palavras, roupas e brincadeiras. As calças apertadas também nos tentam, as blusas cavadas, também. O olhar, o abraço… Vigiem. O momento não é alegre. Chorai conosco. Intercedei por nossas lideranças femininas. Ou vocês acham que é por acaso que estão faltando?

Wanessa Gomes Chagas
Ministério Jovem Estadual
Goiânia/GO
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