quarta-feira, 10 de março de 2010

Se você quer ser um bom pai, seja um bom esposo



O último livro de Piero Ferruci, "Nossos mestres as crianças" já foi traduzido a 11 idiomas.

Neste livro ele afirma: "Foi preciso tempo, mas ao final percebi: a relação com meus filhos passa através da relação com minha mulher. Não posso ter com eles uma boa relação se minha relação com ela não é boa".

A experiência clínica de Ferruci demonstrou-lhe que "cada ser humano é o resultado da relação entre dois indivíduos: seu pai e sua mãe. E esta relação segue vivendo dentro de nós como uma harmonia belíssima ou como uma dilaceração dolorosa. A relação entre nossos progenitores -disse Ferruci- nos constitui no que somos. E isto é verdade também na época da 'família-dormitório', dos progenitores single, da fecundação artificial, da manipulação genética, dos ventres de aluguel, dos bancos de espermatozóides... Uma criança sente com todo seu ser a relação entre seus progenitores, seja qual for, a sente nele mesmo. Se a relação está envenenada, o veneno circulará pelo seu organismo. Se a atmosfera não é harmoniosa, crescerá em dissonância. Se está repleta de ânsias e inseguranças, também seu futuro será incerto".

A conclusão então parece clara: se você quer ser um bom pai, seja um grande esposo. Se quer ser uma boa mãe, seja uma grande companheira para o seu marido. Isto que parece simples, na prática não é. Por quê? Ferruci responde em primeira pessoa, com grande humildade:

"Às vezes esqueci esta realidade. Tive demasiada confiança. Sabendo que nossa relação ia bem, a deixei aí". Abandonada a relação à sua própria sorte, prontamente aparecem os desgostos, as recriminações.

Quando um matrimônio reage a tempo e recupera o belo do seu amor, os primeiros a perceber são os filhos. E conta sua própria experiência depois de uma temporada em que, obesessionado por escrever seus livros, começou a levantar-se às 5 da manhã e a passar o dia reclamando do ruído das interrupções:

"Comecei a sentir-me deprimido, algo não andava bem. Finalmente compreendi o que sabia mais não queria admitir. A ordem das minhas prioridades estava equivocada.

Decidi devolver a Vivien, minha mulher, um marido que não caísse de sono. Depois ocorreu algo sutil e surpreendente. A relação entre Emilio e Viven melhorou. Não é que fosse uma relação má, mas havia algo que eu não gostava. Com frequência Emilio era descortês com ela e falava comigo como se Vivien não existisse, ignorando-a como o machista mais endurecido. Depois entendi: Emilio me mostrava qual era minha atitude para com Vivien... Eu era que a transformava em uma sombra. Afortunadamente percebi a tempo".

Como manter e melhorar constantemente a relação conjugal? Este autor italiano é um grande romântico e crê que a fonte do amor para os esposos estão nas recordações dos melhores momentos.

"Ao contrário do que muitos pensam, eu creio que o fato de apaixonar-se é o instante mais autêntico da relação entre duas pessoas; é quando elas vêm que todas as possibilidades se abrem diante delas, quando tocam a essência e a beleza do amor... Ante os olhos da minha mente desfilam nossos momentos mais luminosos: o primeiro passeio juntos, a decisão de casar-nos numa tarde de setembro, Vivien que veio me receber no aeroporto num dia de chuva, o concerto durante a gravidez de Emilio...

     Tudo isso é a origem, a fonte: o lugar no qual tudo vai bem e é perfeito. Resulta positivo regressar de vez em quando às origens e beber daquela fonte de água pura".


  Tomado de Fazer Família
         
  Maria Esther Roblero